A margem oposta

Alberto Cohen

Já eras quase chegada e o quase de tua chegada
não me deixava partir.
O sol gritava meu nome e o vento num assobio
falava de um novo tempo no outro lado do rio;
tempo bom de colher flores,
tempo de enxergar as cores,
Mas eras quase chegada e o quase de tua chegada
não me deixava partir.
Mãos acenavam promessas de carinhos inventados,
aniversários guardados no outro lado do rio,
onde o tempo dormitava, placidamente vadio,
Mas eras quase chegada e o quase de tua chegada
não me deixava partir.
Devagar o muito perto se foi tornando arredio
o tempo, sobressaltado, vestiu de cinza e vazio
as flores, cores, promessas, no outro lado do rio,
pois eras quase chegada e o quase de tua chegada
não me deixara partir.
 
 
 
 
 
 
  

Créditos

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