Antigamente

Alberto Cohen


Era um tempo de roseiras
que hoje não existem mais,
de coretos e bandinhas,
de confetes, serpentinas,
um tempo de carnavais.

Era um tempo de meninos,
debaixo de mangueirais,
brincando de esconde-esconde,
de polícia e de bandido,
um tempo sem temporais.

Era um tempo de doçuras
e carinhos maternais,
um tempo só de procuras,
de viver como se vidas
jamais tivessem finais.