Casario

Os retratos nas paredes contam histórias
de amor passado ou perdido,
coisas sem qualquer sentido,
dores de só esperar.
E a mobília espalhada pela sala
lembra arremedos de insânia,
de flertar com a solidão,
de expurgar todo um passado,
como se armários de vida
fossem coisas recebidas,
possíveis devoluções.
Os quartos que não têm mais moradores
interrogam no vazio
onde estão tantas risadas,
e sequer guardam pegadas
dos que jamais voltarão.
E anos que tão ágeis vão passando
morrem de rir dos enganos,
do sonhar e fazer planos
para futuros mutantes,
quando o passado de instantes
é o futuro da memória
que faz de velhas cortinas
pergaminhos de uma história.
Uma permanente história...

Alberto Cohen

 

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