Inquilino

Alberto Cohen

Dentro de mim mora um tímido
pedaço de estupefação.
Boca aberta, olhos medrosos,
de silêncio em silêncio,
de vigília em vigília,
constrói sua multidão
de seres inabitáveis,
crenças desacreditadas,
pés que não deixam pegadas,
filmes que não passarão.
No casario de memórias
das horas evisceradas,
janelas sempre fechadas,
sempre fechado o portão.

 

 

 

 

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