BUSCADOR DE UM BEM PERDIDO


Bem sei que ainda vou te procurar
por todos os caminhos que escondeste,
em todas as histórias que apagaste,
no riso que levaste e em meus desejos.
Inventarei teus passos nas calçadas
e com grafite escreverei teu nome
em paredes e muros que separam
o real do somente presumido.
E não me cansarei de ir perguntando,
através do silêncio, ou da galhofa,
onde perdeste o bem que me querias
e o que fazer do bem que ainda te quero?
Ai, meu amor, se eu te dissesse, agora,
como estou só, mais só do que era outrora,
quando meus sonhos vinham de tão antes,
nas ilusões que não te conheciam...
Eu era triste e só, porém sabia
que, estando só e triste, na poesia
quase existia o bem que me faltava.
Depois foi grande a confusão de temas,
e, tentando misturar-te com poemas,
não fui amante e me perdi poeta.
E o que me resta além de procurar-te
entre milhões de jeitos e perfumes,
abrindo portas com medo e ciúmes,
fechando versos com rimas pequenas?

Alberto Cohen

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