Canto sem fim

Alberto Cohen

O meu canto é por ti que me encantaste,
como se fosses flor ou feiticeira,
fazendo-me sorrir a vez primeira
depois do desespero que apagaste.

Mas que um pequeno canto não me baste
e que eu siga cantando a vida inteira
para dizer-te, amante derradeira,
o quanto serei teu que me inventaste.

Depois da morte, Deus em sua bondade
há de trazer-me lá da eternidade,
quem sabe transformado em passarinho.

E soará mais puro, quase santo,
este canto sem fim que agora canto
e não soube cantar quando sozinho.

 

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