Poema sem dono

AlbertoCohen

Os poemas não admitem donos.
Não se submetem a quem não conhece
seus instintos de fera
e passarinho.
E quanto mais dóceis, mais perigosos,
e quanto mais selvagens, mais frágeis
e ressentidos.
Ao tratador cabe, apenas, cuidá-los
para que estejam prontos a voar
seu único voo,
ou dilacerar,
sem limites, a própria carne,
pois cada um deles é definitivo,
exaure-se num voo, num rugido,
e é lembrado pelo canto,
ou pela marca
das garras afiadas.

 

 

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