QUANDO

AlbertoCohen

E quando todos os poetas forem concordatários,
póstumos, ou de fins de semana?
E quando as traças comerem os livros e o tempo comer as traças?
E quando não existir mais nenhuma borboleta
e uma criança perguntar o que é uma borboleta?
E quando o amor se tornar, apenas, acoplagem
de corpos para troca de fluidos?
E quando o único se dissolver nos plurais do desamor,
e o desamor for, somente, não conhecer, jamais, o amor?
E quando o beijo, o abraço, as mãos dadas, estiverem entre os supérfluos,
e o “meu bem” proscrito como estigma?
E quando o virtual substituir, totalmente, o sonho
e não houver quem confunda pás de moinhos com asas de dragões?
E quando a multidão, finalmente, absorver os indivíduos em postas?
E quando não se usar o quando como expectativa,
mas como distante e inverossímil lembrança?

 

.~.~.VOLTAR.~.~.