Réu

AlbertoCohen

Vejo a vida passar e vou passando
do território que julguei ser meu
e me transformo em muitos, quase um bando
a procurar o tudo que perdeu.
Sem um mapa que mostre o que persigo
farejo aquilo que não tenho mais,
o perfume querido e mais antigo
perdido nas estradas do jamais.
E nessa cruz que fiz e que carrego
tropeçante, perdido, tolo e cego,
crucifiquei inteiro o coração.
Matador do que era tão bonito
é justo que eu desviva sem um grito
o amor assassinado sem perdão.

 

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