Simples, jamais vulgar

Alberto Cohen


O povo gosta de poesia.


E se emociona, ri e chora, ao sabor das metáforas e rimas que irmanam suas sensações com as do poeta com quem se identifica.


Cansou, no entanto, de comprar e (ou) ler versos feitos por uma elite para seus iguais, como se o Brasil não fosse composto de folclore, tradições e linguagem popular.


Reboa nos guetos e favelas, nas fábricas e no trânsito, em assobios e cantarolas, a verdadeira poesia, livre e leve como a alma de um passarinho que foge da gaiola.


As ruas, não as academias, são a verdadeira escola do dizer ou do cantar. Nelas passeiam abraçados amor, saudade, beleza, verdades tão simples e puras que não precisam de maquilagem nem de imagens pré-fabricadas.


Basta sair das redomas e laboratórios, conversar com os anônimos, ouvir a filosofia dos bares, becos e madrugadas, cantar com os cantadores, pescar com os pescadores, chorar com os amantes traídos, rir com os bêbados e loucos, para, enfim, sentir o toque de escolha da poesia, se ela achar por bem.


Espero haver aprendido com o povo. A mulher que não tem dono já me seduziu há um bom tempo.


 

.~.~.VOLTAR.~.~.