Menino de Rua

Ilze Soares

Descalço, pés queimando no chão,
Lá vai o menino de rua
Em busca de uns trocados para o pão.

Nas esquinas, faz malabarismos,
Recebe centenas de nãos,
Nenhum centavo cai em suas mãos.

Se voltar pra casa assim,
Sem ao menos um tostão,
É surra na certa, não tem perdão.

Onde fica seu direito de ir e vir,
Sua obrigação da escola frequentar,
Sem comer, sem brincar, sem sorrir?

Espero, um dia, que os nossos dirigentes
Prestem um pouco mais de atenção
Nestas pobres crianças de pés no chão.

Sem saúde, estudo ou segurança,
Disposição, fé ou esperança,
Elas tambem são o futuro da nação.

 

 


A los que miramos un poco tarde


por las calles
vemos a esos que “llámanos”
indigentes o cartoneros
muchos nos  alejamos
no observamos  debajo de esa apariencia.
 Existe un ser humano
que alguna vez tuvo ilusiones, sueños
como vos, aquel, el otro
tampoco vimos como de a poco
somos un poco culpables
 como sucedió?
que hicimos mal? que permitimos?
estábamos tratando de sobrevivir
en un mundo donde las ilusiones y los sueños
no alimentan
hace falta también comida, trabajo
el pan de cada día.
Donde estábamos? que no miramos antes
lo que hoy soportan ellos y nosotros?
muchos sin pan ni trabajo
sin ilusiones ni sueños
solo miradas extrañas.

maria elena sancho

 

 

Não me olhes assim!...
António Barroso (Tiago)
 

Não me olhes assim,
menina que passas, dolente,
com rosto de fome e de frio.
Levas um ar tão descrente
quando me fitas, vazio,
que sinto, dentro de mim,
uma profunda emoção.
Menina, peço perdão,
mas não me olhes assim!...


Não me olhes assim
porque és só uma criança
sem amparo e desvalida.
Se não moras num jardim
rodeada da esperança
que te prometia a vida,
é porque o mundo é ruim,
cruel e cheio de ambição.
Menina, peço perdão,
mas não me olhes assim!...
 
                       
Não me olhes assim
com a tristeza nesse olhar
que suplica, sem resposta,
um pouco de caridade.
Vives numa sociedade
que passa sem reparar
e, quando te vê, não gosta
que possas lembrar, também,
momento que teve, ruim.
Se tento chamar a atenção,
como tu, não sou ninguém,
Menina, peço perdão,
Mas não me olhes assim.

Parede - Portugal


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